sexta-feira, 29 de agosto de 2008

[observação um]

Não sei. Não posso afirmar se ele está realmente apaixonado. Ou se esse outro é o grande amor da minha vida. Não sei o porquê do grande. Ou se é o amor da minha vida ou não se é, oras. Grande, pequeno, maior, verdadeiro, mais interessante... Não há advérbios ou adjetivos para os amores da vida. Nem sequer o tal do único.

E se esse que estiver apaixonado, se de fato estiver, for o grande amor da minha vida. Ou simplesmente o amor dela. Um deles. Que seja. Me basta. Não estaria eu cometendo um erro ao ignorá-lo? Ao continuar com quem não seja. Ou quem já foi... E não mais é? (Era?) (Será?)

A vida era bem mais fácil quando simplesmente debutávamos da estupidez inerente à beleza da meninice.

E que história é essa de “se me ama de verdade”? Se eu te amo de verdade não tem disso. Não tem provas. E ninguém ama de mentira. Se é de mentira ainda assim é amor?

E amor? Acaba MESMO?

A estranha familiaridade...

Essa sim permanece. Mesmo quando a gente (in)acaba. É estranha porque não era pra se existir mais, sabe? E existe por algum motivo. Deve ser a prova de que o amor continua.. Isso se não é ela própria uma das coisas na qual o amor se transforma depois que abrem as cortinas e a vida real começa.

E por tabela? Se ama alguém por tabela?

Por tempo, sim. A convivência transforma muita coisa em amor. E mais delas ainda em desamor. Acho que destruir é mais fácil que construir. Minhas explicações vis me enojam. E me bastam. Sou rasa. Mas nem por isso cheia.

Queria mesmo é ter sido Vinícius. Homem, boêmio, amante. Casou-se 9 vezes. Nunca deixou de estar apaixonado.

Decerto que não nascemos para ser de um só. É a natureza. Nem por isso sou promíscua. Sou também meio assim, sedenta do apaixonada. Mesmo que ele esteja setenta vezes sete na mesma pessoa.

Mas se é possível amar com a mesma intensidade pessoas diferentes? Ah, sim, o é.

O problema é que não podemos dar a segurança do amor para todas elas... E ninguém gosta de caminhar na prancha, todo os dias, ouvindo o tic-tac do crocodilo lá embaixo, entende? (Esse foi sempre o meu conceito de insegurança. Desde que li Peter Pan a primeira vez, entendi.) Daí a gente sempre tem que escolher.

A vida é feita de escolhas.


A vida é uma ilha de escolhas, cercada de consequências por todos os lados e banhada em possibilidades.

3 comentários:

Alice Agnelli disse...

lice !! (http://dosesdepalavras.blogspot.com) diz:
acabei de ler o post da paulinha
lice !! (http://dosesdepalavras.blogspot.com) diz:
tá tão....lindoverdadeiroeaimanoeuqueriaterescrito
Clara Balayés les amours, avec leurs trémolos, balayés pour toujours... Je repars à zéro. diz:
ahhh, eu não, viu lice... nossa, deve ser a maior pressão, coitada
lice !! (http://dosesdepalavras.blogspot.com) diz:
ah claire..eu sei, mas é no fundo no fundo, uma pressão boa por ser amada
lice !! (http://dosesdepalavras.blogspot.com) diz:
e ser amada nao importa por quem ou por quantos, é sempre bom.


mas é foda.
isso é.

camilaemboava disse...

sobre o amor eu sempre acreditei no chico, cantando 'não se afobe não que nada é pra já o amor não tem pressa, ele pode esperar, em silêncio, no fundo do armário (..) amores serão sempre amáveis.' o amor não acaba não. ele se cala ás vezes, no fundo do armário. fica tão quietinho que a gente até pode pensar que ele morreu asfixiado e inventar de cremar. mas aí a gente deixa de aprender a lição (ui, como se todo amor fosse muito didático).
'quem não compreende o silêncio ainda não está pronto pra ser flor.'- sobre o amor- Rita Apoena.
acho que quando a gente num consegue compreender o silêncio do amor do armário, chega despetalada no amor presente. e aí haja paciência do amor presente pra juntar nossas pétalas a cada vez que venta..

Marina disse...

"AMOR

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima."
Paulo Leminski


Você rima muito bem ;D

Marina