domingo, 8 de março de 2009

Newton aplicado à vida real

Sim. Tudo que vai e volta. Como na Física.
Senão... qual seria a lógica de temer o que se faz?
Há tanta preocupação com o que se faz - ou pelo menos haveria de se ter - porque a toda ação existe a possibilidade de uma reação, lógico.
Apesar de tudo, a vida não é física. A vida sequer é exata.
A vida é ciclo. Pulsa. Vive. Vai e volta. Bagunçada.
Não tem essa história de sentido oposto e mesma intensidade.
Instintivamente achamos, por exemplo, que toda ação é pior do que a reação.
Isso porque para que haja uma re-ação é necessária uma ação antes.
Ou seja, não foi ela quem começou. Só respondeu. Aí, sim, tá válido.
Apostamos na legítima defesa - e num advogado do diabo - para dormimos de consciência tranquila, então.
Aliás, na vida real, tudo é a mesma coisa, tudo se mistura.
Tomamos uma pela outra, às vezes, porque simplesmente nos esquecemos de quem ou onde começou. E tendemos a achar, daí, que não fomos nós. E que o que é pior porque nos ataca é uma ação, e não uma reação ao que anteriormente fizemos.
Se ignoramos achando que daí quebramos o ciclo, não nos enganemos. Toda indiferença é uma espécie delas, uma ou outra. Tanto faz. O interessante é que, desafiando mais uma vez as leis da Física, toda indiferença é de uma intensidade muito maior do que qualquer outra força.
Ah!
Não nos resta nada a não ser aceitar o ciclo. Nunca deixar de pensar que agindo, lançamos mão do direito de reagirem. E reagindo, automaticamente agem e automaticamente nos atacam.
Viver é lançar mão de todos os papéis.
Nos dá o dever de andar sempre preparados e nos nega o direito de reclamar algo. Afinal, não somos nunca vítimas se outrora já fomos vilões. Somos simples e constantemente autores.

abre parênteses
Estou me fazendo um pouco confusa.
Ouvi, não me lembro onde nem de quem, que tantas vezes não escrevemos para que outros entendam, e sim para que nós nos entendamos. Talvez seja isso que eu esteja fazendo agora. Talvez seja por isso que soe tão confuso, ou por ter muita ação/reação no meio. Enfim, nem eu sei onde vão dar essas ideias. Sei de onde e quando e porque vieram.

E basta.
fecha

Um comentário:

Alice Agnelli disse...

espero que quanto eu tiver a sua idade, eu possa me complicar tanto com a física quanto vc se complicou.

e depois de tanta complicação chegar à mais sincera conclusão de simplicidade: somos simples e constantemente autores.