domingo, 9 de agosto de 2009

Uma lolita em minha vida

Não foi uma questão de simples amadurecimento.
Sim, eu tive que sacrificar uma menina para que nascesse uma mulher.
Mas a menina não fui eu.
Foi a sua.
Acontece que ela era tão bonita, tão espirituosa. Mas tão novinha.
E eu ainda gostava de você. A única vantagem que eu podia ter sobre ela era ser mais mulher. Eu tinha que ser. E era.
E muito. Me ria das inexperiências dela. Das coisas infatins que ela fazia, das palavras recém-nascidas.
Foi uma espécie de papel que a vida me deu e ao qual eu me agarrei com tanta força, que acabei encarnando, de uma vez por todas, com o tempo. De repente não consegui mais me ver ou me permitir menina. "Colo? Me faz feliz? Me faz feliz, por favor?"
Nunca mais.

Ei, você aí...
Sou eu quem vai te fazer feliz, agora.

Eu.

E foi como aconteceu. Foi assim que eu cresci. Não é uma história bonita. Mas a nossa história não é bonita. Nenhuma minha é. Eu sou humana demais pra isso. E de um tipo de gente, o pior. Quantas dessas pessoas tem histórias bonitas pra contar? Faço coisas pelos motivos errados a todo instante. Numas vezes dá merda. Noutras bem raras, não. E aí, sem querer e de repente, se acerta. Não exatamente em nome de um sentimento bonito ou de uma experiência dolorosa. Mas porque acerta. Quando menos se espera. E talvez menos precise. Quando uma lolita estraga seus planos e você é capaz de pensar “por que não?”.
-é menos nobre quando se é por acidente?
Pode ser.
Mas não deixa de ser.

É a vida.
E se eu estiver errada sobre isso, viver faz o maior sentido.

Um comentário:

Maria Joana disse...

"De repente não consegui mais me ver ou me permitir menina. "Colo? Me faz feliz? Me faz feliz, por favor?""

fazia algum tempo que eu esperava pra ler esse post...