quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Momento Marisa: de mulher pra mulher

Eu já me deparei com tudo quanto é tipo de mulher nessa vida.
E o mais engraçado é a capacidade de ter me encantado por alguns deles que, em outras oportunidades, quis extinguir da face da Terra.
E vice-versa.
É que depende da mulher que eu sou quando me deparo com uma outra, entende?

As que eu odeio logo de cara são meu espelho 100% das vezes.
E nem sempre eu mudo de opinião ao reconhecer isso.
Às vezes sim, às vezes tô pouco me fudendo.
Não é por serem iguais a mim que mereçam a minha compreensão.
Eu que sou eu não me entendo...

As que me parecem livres hipnotizam até certo ponto.
Até começarem a vulgarizar e brincar com tudo quanto é gente.
A achar que podem ser de vários e de nenhum e que podem ser de quem e de que quiserem.
Achar isso é tão imaturo que chega a ser limitante. Chega a prender quem antes achava que voava tanto...
Mas daí confesso que varia.
Tem as biscatinhas que me divertem.
Tem as que me ofendem.
É mais que um "toca ou não toca", sabe?
Todas tocam, mas depende.

As que me conquistam a amizade depois de muitos dias são minhas preferidas.
São daqueles tipos que não me chamaram atenção em nada. Pelo contrário até.
Me fizeram querer matá-las a princípio.
E com o tempo eu aprendi a respeitar.
É um amor mesmo. Nascido na inimizade e cultivado nas diferenças.
Quer mais vivo que esse?

As fingidas... Bem, essas me são nulas.
Por mais dores de cabeça que possam vir a causar - e causam, dependendo de quem ou quando eu sou, no momento.
Todas vivem e todas morrem em mim com a mesma insignificância profunda.
Até mesmo doída. Até mesmo triste. Que elas poderiam ser alguma coisa - pra mim, claro.
Amigas fingidas, livres fingidas, puritanas fingidas, maduras fingidas.
Eu até poderia gostar do fingimento delas, sabe, do que elas gostariam de ser e não são, se ao menos elas interpretassem bem esse papel. Mas, no fundo, nunca interpretam.
Mesmo que os olhos tenham de ser, ambos, bem abertos - e isso é complicado -, uma hora fica claro.

As meninas não são bem mulheres.
Chegam, fazem gracejos e voam.
São como faíscas de fogo que logo, logo se apagam e você nem lembra que foram vivas.
Passam do colorido às cinzas em minutos.
Meninas são de uma existência tão efêmera quanto intensa.
Não gosto de todas elas.
Das que se acham mais do que faísca, particularmente não.
Gosto da que eu fui, mesmo tendo achado ser incêndio muitas vezes...
E detesto a que eu ainda sou de vez em quando.

Ai, me são tantas...
E eu fui tantas a ponto de conseguir me cercar de todas elas.
Amaldiçoei os mesmos tipos que em outras, em outra, abençoei sinceramente.
E não me sinto incostante com isso. Nem arrependida.
Me sinto mulher quando colocam outra mulher no terreno dela.

Pode ser quem for, um movimento errado, na hora errada, e a gente estraçalha.

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