terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cabulando civil

Eu deveria estar estudando agora, mas não sei que tipo de nivelamento de prioridades eu tenho a ponto de achar que escrever aqui é imensamente mais importante que ter de estudar para não repetir uma matéria no semestre que vem. Talvez seja o tipo certo. Talvez seja simplesmente um tipo. Ou o tipo. O tipo que rege todas as coisas da minha vida na mesma bagunça.

Confesso que tenho invejinha das pessoas de vidas sem bagunça. Sem a menor nuvem de confusão. Eu não moro com o amor da minha vida e um cachorro, trabalhando no emprego mais legal do mundo - pra mim - e ainda tendo tempo para fazer coisas como assitir àquele filme cult à tarde ou fazer aquela viagem de final de semana, antecipando a magistral de final de ano. Mas tem gente que sim!

Concordo muito com o que diz o personagem de Jack Nicholson em Melhor é Impossível (por mais que eu odeie as traduções infiéis que fazem a nomes de filme, odeio mais ainda ter de lê-los na língua original. Por favor, né. É só pra gente perder tempo jogando no google pra ver do que se trata enquanto você soa sofisticado?) quando ele retruca a declaração da personagem de Helen Hunt quanto a todos estarem tendo de lutar com algo difícil na vida, uma coisa assim. Ele diz que não, que não era nada assim, que tinha gente é muito bem e que sempre tinha estado a despeito da desgraça alheia.

Não que minha vida seja ruim, longe disso. Ela só é, como eu disse, bem bagunçadinha. Minhas prioridades se confundem, bem como as decisões que adveem delas e, quando eu vejo, já nem sei dizer em que pé de vida estou ou se dá pra ir àquela sessãozinha das 4 com alguém ou não.

Talvez eu simplesmente não saiba viver como essas outras pessoas, já que não tenho nada, a não ser das minhas falíveis decisões, a reclamar, e poderia muito bem viver. Talvez eu seja daquelas que, sem explicação nenhuma, um dia deixam a casa perfeita, o marido, os filhos e o emprego perfeito, para morrer num motel com o amante 20 anos mais velho, assassinados pelo ex. Ou talvez eu só esteja ainda em um processo de amadurecimento para, quando chegar nisso, se o chegar, assim não o seja, Deus que me livre! Ou talvez...

Eu como talvezes no café-da-manhã. E escrever é sempre mais importante. Como minha vida não seria (será) essa bagunça?

Um comentário:

Alice Agnelli disse...

Tem algo de "o velho e o moço" aí.