sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vivendo e aprendendo

Eu me considero uma pessoa muito de boa. Eu não grito (falar alto não conta), não me irrito com facilidade, tento não atrapalhar ninguém e você sempre vai me ver rindo da sua piada, mesmo que eu não ache engraçado. Falo obrigada, por favor e dá licença e não fico reclamando das minha cólicas se você não é meu ginecologista. Sou super bem humorada de manhã e vou ser bem compreensiva se você for um garçom e acidentalmente bater a bandeja na minha cabeça, o que acontece com certa frequência comigo, só Deus sabe por que. Sou boazinha no trânsito e deixo você passar assim que liga a seta. Repito sem problemas quantas vezes forem necessárias até que você entenda. E você nunca vai perceber quando eu quero te esganar, quando eu quiser. Veja bem, isso não se chama falsidade, se chama política de contenção de gastos emocionais para uma sobrevivência pacífica na sociedade. Enfim, eu sou mesmo de boa. Mas se tem uma coisa que me tira do sério, ou melhor duas, são incompetência e burocracia.

E hoje conseguiram juntar as duas na livraria. Fui toda feliz passar o meu livrinho, uma caixinha de presente e um mero envelope no caixa. A moça chegou toda sorridente e pediu para que eu lhe entregasse as coisas que ela ia gerar a notinha e eu pegava no pacote. Ok, tudo certo, tudo feliz, é Natal e lá lá lá.

No pacote, fui pegar tudo e o cara me barrou dizendo que num tinha notinha nenhuma do envelope. Do meu envelope de R$0,10. Conferi. Num tinha. Como que alguém que vai especificamente pegar as suas coisas, colocá-las todas juntas na sua mãozinha até chegar num computador, ali do lado, e gerar uma nota, não passa todas elas?

Tudo bem. Tudo bem, mocinha sorridente. Eu te perdoo, é final de ano. Eu pago, oras. Ah, não... mas pagar ali eu num posso. Olha só que inteligente, eu tenho que voltar pra fila digna de fila de Natal para passar R$0,10.

E eu quase fui. Afinal, é mesmo Natal né, alegria, alegria... Até me lembrar de que além do cartão de crédito eu num tinha nada, nem uma moedica de nada. Voltei ao pacote, puta. Fui bem da grossa e mal educada. E se eu encontrasse a mocinha sorridente pelo caminho, ia mandar ela me comprar cem envelopes que por culpa dela eu num tinha nenhum e enfiar.. bom, deixa pra lá.

Puxei a sacola da mão do cara que num tinha nada a ver com o assunto e tentava me arrumar uma solução, esbarrei em meio mundo de propósito e reclamei até sair da loja, bem alto, também de propósito. Nessas horas as pessoas devem ter olhado e pensado: "nossa, que menina mal amada (pra num dizer pior). Essa daí deve ser daquelas que reclamam de tudo, vivem de cara feia e maltratam todos os atendentes do shopping".

Foi aí que eu decidi nunca mais julgar ninguém que se encontre num ataque de fúria, na minha vida. Vai que meu BOM DIA feliz às 6h da manhã lhe seja pior que ter de entrar numa fila de meio km para pagar R$0,10, que você não tem, por culpa de uma atendente avoada?

Viu, gaúcho da cantina da faculdade? Nunca mais eu te olho daquele jeito.

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