terça-feira, 27 de setembro de 2011

D'apê

Hoje presenciei uma típica cena de ciúme em que alguma loira-boazuda-e-sempre-de-índole-duvidável escreve no mural de algum namorado. (Bem que minha mãe fala que facebook é coisa do diabo). Tava tão descabelante e desesperador que eu não aguentei:

- Mas, menina... Eles tão juntos?
- Não!!  Claro que não! Mas já ficaram.
- Quando ceis tavam juntos?
- Não! Deus que me livre!
- E... Ele respondeu alguma coisa, é isso?
- Não!!

...

Vai pentear esse cabelo no banheiro, por favor, minha filha, e vai comprar um picolé, na esquina, vai. Depois cê volta ca língua fria.

Sei, não. Desconfiei que eu não fosse lá muito ciumenta quando, no começo do namoro, uma amiga saiu pra almoçar em família com o meu namorado e eu não fui, e nem liguei. Achava que a explicação pra isso fosse  puramente racional: eu sei muito bem o que ele sente por mim. Sei o que tem valor pra ele e o que não tem. Etc e pronto. Mas aí, hoje, me lembrei do  Apê d'Amélia, onde derramei todas minhas sinceridades de mulherzinha (e bem mais interessantes do que essa, por sinal).

Percebi que a verdade é que eu nunca me arrisquei a sentir ciúme, na vida, porque simplesmente não sou passional. Ele não me é natural. E ciúme criado assim, em cativeiro, é puro vício. 
A paixão é talento. O ciúme... vício. E eu sempre fui cagona pra essas coisas! Lembro-me de quando, naquela fase mala de adolescente, tinha o tal do cigarro. E eu colocava na boca, pagava de dexcolada e largava. Vai que eu me viciava naquela coisa mal cheirosa e podre daquele jeito? I-CA.

Depois cresci. Experimentei. E não viciei.
Mas sei lá, vai parecer muita loucura eu dizer que o cigarro... O cigarro simplesmente apaga perto do ciúme?
O ciúme é o pior dos tóchicos.

Passo.
Muito obrigada.

Um comentário:

Alice Agnelli disse...

Esse negócio de vício, paixão e cigarro me fez lembrar daquele texto da Celina, lembra?

"Olhou para o cigarro, pensou que precisava parar. Tinha que largar o vício. Não conseguia. Era assim. Sabia que desde seu primeiro, muitos outros viriam. Estava fadada a eles. Totalmente dependente."
http://dosesdepalavras.blogspot.com/2010/11/o-cigarro-de-celina.html

não sei porque...