sábado, 10 de setembro de 2011

O analista

Eu sou do tipo de nerd que estuda psicanálise pra discutir com o terapeuta durante a sessão. Ou, conforme a minha insista em dizer, o tipo de mala que não suporta o fato de que a outra pessoa com quem esteja discutindo simplesmente saiba mais do que ele sobre o assunto. Fato é que eu passei a estudar bastante e a, inconscientemente, analisar todo mundo. Nisso, creio que tenha sacado o maior problema das pessoas: elas não se conhecem. Elas não sabem quem elas são para elas, quem elas são para Deus e se preocuparm, constantemente, em quem elas são para os outros. Há um esforço tão grande em ser para o outro (e ser a vida da internet: photoshopada e sempre feliz) que o autoconhecimento fica esquecido debaixo do tapete. E, quando acontece alguma coisa que te faça precisar dele, você está pisando em cima, o tempo todo, mas não sabe encontrar.

É tão sério isso. Sabe, quando você se conhece, podem te ofender à vontade. Você nunca fica ofendido. Quando você se conhece, você não precisa falar mal de ninguém para se sentir melhor. E pode acreditar que você não faça por isso, mas, no fundo, qual a sua explicação para a inbox que eu recebi hoje? Uma foto de algumas amigas numa festa escrito pra mim, embaixo: ainda bem que não somos mocréias como elas, né, amiga? Qual a sua explicação pra isso, hein, a-mi-ga? Ai, amiga, você é linda. Você é tão bonita e tem um namorado tão legal. Pra que isso? Pra que?

Isso é uma coisa que tem esgotado minhas energias. E a minha paciência com os outros, também. Essa necessidade em falar mal sem necessidade nenhuma. A inconstância de quem não sabe quem é e acha que ser inconstante é ser alguma coisa... É estar, porra! E ponto. A insegurança que, invariavelmente, provoca o desejo de ser desejado por quem quer que seja (alôu, quem quer isso, sempre consegue. Não é dom, não é beleza, não é genial. Não é o melhor que você consegue, muito menos o melhor que você pode ser), a necessidade em agradar a todo mundo, toda hora, a subserviência frágil, putinha, a dificuldade em dizer não e o consequente ressentimento em ter de fazer o que não se quer, a vergonha enraizada, escondida, disfarçada, mas sempre presente. Tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa!!

(fôlego)

Pessoas, por favor, gastem o tempo, a língua e os talentos em autoconhecimento. Estou me cansando da gente. Estou perdendo a fé em nós.

2 comentários:

João Gabriel disse...

Sócrates mandou um beijo de cicuta, amiga.

JG

Andy Santana disse...

Gostei do blog,
beijos