sábado, 22 de agosto de 2009

Pepê e seu jeito estranho de fazer as coisas

Parte 3

Mais estranho ainda do que seu jeito de fazer as coisas, era o seu jeito de pensar as coisas. Uma vez, Pepê entrou no chuveiro de óculos. Foi tomar banho e se esqueceu de tirá-los, como se aquilo fosse uma extensão do seu corpo. E não era?

O dia estava frio. A água estava quente. As lentes logo começaram a embaçar e ele passou a ver tudo branco e esfumaçado. Sequer pensou nos óculos. Usava óculos? Só lembrava se alguém reparasse ou se usasse o espelho. Coisas, que por sinal, não gostava muito. Nenhum motivo especial, entretanto.

Já começou a pensar que estava tudo se acabando. Pronto. Era o fim. E era assim que ele vinha. Como a cegueira de Saramago, o apocalipse, enfim. Toda sua vida se extinguindo num banho, numa terça-feira de Hairspray na televisão, levada por um mar de espuma branca pelo ralo.

Até que começou a sentir o suor onde descansava a armação, e percebeu do que se tratava. Tirou os óculos. E o mundo desfocado e quase indistinguível fez sentido, pela primeira vez na vida.


Leia a Parte 1 aqui

E a Parte 2 acolá

domingo, 9 de agosto de 2009

Uma lolita em minha vida

Não foi uma questão de simples amadurecimento.
Sim, eu tive que sacrificar uma menina para que nascesse uma mulher.
Mas a menina não fui eu.
Foi a sua.
Acontece que ela era tão bonita, tão espirituosa. Mas tão novinha.
E eu ainda gostava de você. A única vantagem que eu podia ter sobre ela era ser mais mulher. Eu tinha que ser. E era.
E muito. Me ria das inexperiências dela. Das coisas infatins que ela fazia, das palavras recém-nascidas.
Foi uma espécie de papel que a vida me deu e ao qual eu me agarrei com tanta força, que acabei encarnando, de uma vez por todas, com o tempo. De repente não consegui mais me ver ou me permitir menina. "Colo? Me faz feliz? Me faz feliz, por favor?"
Nunca mais.

Ei, você aí...
Sou eu quem vai te fazer feliz, agora.

Eu.

E foi como aconteceu. Foi assim que eu cresci. Não é uma história bonita. Mas a nossa história não é bonita. Nenhuma minha é. Eu sou humana demais pra isso. E de um tipo de gente, o pior. Quantas dessas pessoas tem histórias bonitas pra contar? Faço coisas pelos motivos errados a todo instante. Numas vezes dá merda. Noutras bem raras, não. E aí, sem querer e de repente, se acerta. Não exatamente em nome de um sentimento bonito ou de uma experiência dolorosa. Mas porque acerta. Quando menos se espera. E talvez menos precise. Quando uma lolita estraga seus planos e você é capaz de pensar “por que não?”.
-é menos nobre quando se é por acidente?
Pode ser.
Mas não deixa de ser.

É a vida.
E se eu estiver errada sobre isso, viver faz o maior sentido.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Aniversário e Nostalgia



Bons tempos.
Uma bela idade.
Pra uísque.

Tô bem assim.

:)