terça-feira, 15 de setembro de 2009

Monólogo entre amigas

'Você é luz, é raio estrela e luar.'
Cerveja. Cigarro. Confissões.
E um discurso.

- Você é aquela foda de mais um dia dele tentando esquecer um amor, e daí?
Você é menos bonita do que ele fala a semana inteira só porque enquanto te chama de linda, ele vê um rosto muito mais bonito que o seu a lhe perturbar os pensamentos, e por isso se esforça tanto em se convencer de que você é bonita como ela? E nunca se convence?
Você é pior porque ele vai se esquecer em questão de minutos qual é a sensação de ter você nos braços, sendo que a te der a outra não é esquecida nem quando ele fecha os olhos, nem um minuto sequer, nunca? Nem quando ele está com você?
Você é menos desejada só porque ele faz isso desejando outra?
Só porque ele faz isso querendo afetá-la quando não tem mais o afeto dela?
Você é fácil porque em um telefonema com voz chorosa e filha da puta, ele te larga e te esquece por dias? E dias, e dias, enquanto ela estiver ali ainda? E depois, quando ela vai embora, ele te procura e te acha?
Você vale menos só porque ele não sente nada quando está com você, e está com outras ao mesmo tempo, e te ignora sempre que se cansa de fingir - e fugir?

Talvez sim. Talvez não. Talvez nada.
Nada é o que você é pra ele.
Nem bonita. Nem melhor. Nem desejada.
Ara, menina!
Ser só uma foda é foda.
Mas e daí?
E daí se você acredita nos elogios?
E daí se você sabe que é por ela e não se importa?
E daí se ele mente?
E daí?
Todo mundo é feliz com uma mentira, na vida.
Melhor ser alegre que ser triste, poeta?
Não importa a circunstância.
Não importa a força com que você tenha que fechar os olhos pra isso.
Os sonhos aparecem daí, né.
E DA-Í?

Você é menos feliz ou menos mulher por causa disso?
Ou você é simplesmente menos feliz e menos mulher por não ser a mulher dele? -


Sem música mais.
Corta. Conta.
E uma noite de sono tranquilo por me saber mulher de alguém.

sábado, 5 de setembro de 2009

Running in circles, chasing tails, coming back as we are...

A inocência sempre se perde. A realidade é suja, é lasciva. É aquela putinha da esquina por quem tu passas e pensas que não vale nada, e ergues o rosto, e lavas as mãos, e desvias a cara, e fazes graça, e sabes-se uma versão humana melhorada. És?

Te dê tempo. Por ti também escorre lama. Te olha no espelho, e perceba que animalesco. É uma grossura, um desassossego. Erras. E tu nunca voltas ao que era, nem ao que poderia ter sido.

Não é justo; pelo contrário, é humano.

No fundo somos tudo um bando de bosta. Que se julga e se condena, e se acha no direito.

Ah, inocência. Uma vez rompida, és todas as outras corrompido.

Não adianta.
Não te lavam. Não te limpam. Não te desinfetam, nunca.

Ninguém é bom moço a vida inteira, menino.
Não espero isso.
Ou desejo.

Só não te acostumes com os colos e com as lágrimas.
Não vão passar a mão na tua cabeça pra sempre.

A inocência te perde.
E enquanto dependeres da caridade dos outros, jazerás, perdido.