segunda-feira, 27 de setembro de 2010

parte II : fotossintética



Assustou-se com a sua capacidade de esquecer. De repente quis se lembrar da cor da pia do banheiro dele, de qual era a gaveta em que ficavam os talheres, e nada. Desesperador seria ver suas melhores lembranças sufocadas em tão pouco tempo, se sentisse alguma coisa. Mas não. De tanto se negar a isso, naturalmente já não sentia. Olhou bem para a cor da sua pia, para a primeira gaveta à direita onde ficavam os seus talheres. Lamentou ser, ao contrário dele, esse pássaro de asas cortadas, que foi incapaz de levantar vôo. Mas daí mudou o olhar pro seu lado na cama vazio, pra sua cama só sua, sua vida só sua, e agradeceu não ser um enjaulado.

Saiu e se comprou flores.
As mais bonitas.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

De cara nova

Pretendo passar mais tempo por aqui, então resolvi deixar tudo um pouquinho diferente, um poquinho mais a minha cara. E a minha cara hoje definitivamente não é a cara de quando esse blog, a muito custo, nasceu, uns anos atrás.

Passei por esses anos colhendo seus frutos, como todo mundo. A minha diferença pra alguns é de que os passei espremendo cada fruto aqui, sempre. Mesmo quando só inventando mais uma história, um fato, uma dor, um conto. Canso de dizer que isso aqui é muito mais um resultado da minha vivência do que um reflexo dela. E é! Não é um diário. Não é toda vez a minha vida, toda vez a Ana Paula, ou a Ana Paula de hoje. Mas é parido de mim. Meu partido.

Por isso minha vontade mesmo era de apagar tudo que já foi escrito. Não quero pré-conceitos, primeiras impressões, e o pior de tudo, não me reconheço em metade disso... Sabe quando o filho não tem mais a sua cara? Mas não tenho nem culhões, nem necessidade de fazer isso.

É assim com a vida... A gente não passa borracha em nada. Eu que não vou passar esse dele(i)te aqui.

Só espero que de suas letras tenha aprendido.
E que os outros que convivem comigo, a reconhecer que eu vivo. E muito, muito fora daqui.

Boa mudança pra nós!