segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Confissão (des)necessária

Eu não dou ponto sem nó.
Nun-ca.

Eu não sei se você sabia.
Nem se devia saber.
Mas sabe como é..

Acordei com uma vontade de compartilhar pecados.


terça-feira, 23 de setembro de 2008

Truco no escuro

A lua pediu licença pras nuvens, ontem, e se apresentou pra mim. Com um sorriso. Como um sorriso. Cheio. Gordo. E eu, sincera e espontaneamente, não sei quanto tempo passei no meio da rua, parada, sorrindo-lhe de volta.
São pouquíssimas as coisas que têm esse efeito de roubar meus pensamentos e congelar o tempo no meu sorriso.
Pouquíssimas coisas.
E uma pessoa.


No fundo, todo mundo sabe o que fazer.
No máximo, é só um truquinho no escuro.

sábado, 20 de setembro de 2008

Resposta

Às vezes, eu me perguntava o porquê disso.
Hoje, sem querer, acho que sei. Acho que sinto.
Me respondo. Te explico.
Isso... Isso que nasce disso e desemboca nisso, essa coisa assim, sem nome, sem nexo, que não me deixa em paz. Sem graça, sem começo, nem fim.

Dessa coisa, nessa coisa que é uma coisa assim, toda sem jeito, objeto, sujeito determinado, enfim.
Coisa. No âmago da palavra.
Que mexe tanto comigo.
Como se no nada que fosse encerrasse tudo. Eu digo.

Digo (aliás, não sou nem eu que digo. Sou eu que roubo de um cara que verbaliza, com invejável maestria, todas as minhas débeis filosofias de sarjeta e sentimentos de reles mortais) que essa coisa assim, isso:

R: É a solução de quem não quer perder aquilo que já tem
E fecha a mão pro que há de vir.
(8)

Digo que é assim. Isso.
Isso, assim:
Sem aspas mesmo.
Porque hoje sou eu, mais do que ninguém, que digo.

E sinto.

(sinto muito)
((em todos os sentidos))

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sobre coisas difíceis

Tava pensando, sabe.. Eu não escrevo sobre coisas difíceis.
Às vezes, me pergunto, seriamente, que tipo de jornalista eu seria (serei?) se não pego o tempo que gosto de ter pra escrever e escrevo sobre o 11 de setembro, Obama x McCain, campanhas eleitorais brasileiras, grandes cinemas do mundo, choques culturais, acontecimentos revoltantes...
É claro que eu observo a tudo isso, que eu opino acerca de tudo isso, mas tudo isso... É o bastante?
Eu passo muito mais tempo analisando as relações humanas do meu dia-a-dia, principalmente aquelas efêmeras, que surgem num bom-dia ao taxista ou num dar o lugar do ônibus a uma grávida e logo depois se dissipam. Aquele laço que se cria e ao mesmo tempo em que se cria, se desfaz e, quase que imperceptivelmente, muda e molda cada lado dele. E ninguém escreve sobre isso.
Eu vejo e escrevo.
Eu vejo e escrevo com muito mais sensibilidade sobre cada mudança de humor do meu estado de espírito. Sobre a desconhecida moça que passa por mim cheia de sacolas, problemas e horários, enquanto eu vou de carro pro outro lado, cheia de pressa, divagações e cansaço. Sobre a estranha sensação de intimidade que surge durante uma rotina. Qualquer rotina. Qualquer intimidade.
Coisas assim. Coisas humanas demais. Coisas desapercebidas demais. Pros outros. Pros grandes. Pros que escrevem e sabem escrever sobre coisas difíceis.
Eu não sei escrever sobre coisas difíceis.
Talvez eu não sirva pra escrever sobre os grandes e mais importantes acontecimentos da Terra. Talvez eu não sirva nem pra escrever sobre os grandes e mais importantes acontecimentos de Campo Grande! Talvez eu não sirva pra ser jornalista. Minha coisa é outra. Soa superficial e é a coisa mais profunda do mundo. Soa inútil e é a base, o cerne e o âmago da questão de tudo.
É suor, lágrima, pele, sentimento, cheiro. É homem.

É mais difícil.


(Mas, se eu posso escrever sobre essas coisas mais difíceis ainda, nada me impede de, pelo menos tentar, me equiparar aos que escrevem sobre coisas difíceis.

Essas pessoas que eu admiro tanto. E sobre as quais, escrevo.)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Carta a Mãe ou Do meu aniversário de 18

Acordei ontem de manhã [aniversário de 2006] com o aperto que só uma falta enorme é capaz de fazer. Daquela sem motivo concreto, sem início ou princípio de fim, um grande buraco negro onde até cortar o dedo em papel dói menos. Falta da falta de oportunidades em determinadas circunstâncias. Falta de gente longe. Ou até mesmo de gente no quarto ao lado. Pessoas e fatos que perto ou distantes, às vezes, me faltam. Abri os olhos. E, você, Mãe, na minha cama a relembrar como em todos os anos: "Você não nasceu aindaaa... Só a uma hora da tarde!!". Na verdade, eu não tinha REnascido ainda, Mãe. Não mesmo.

Levantei com a angústia de que aquele falta fosse se fazer o dia inteiro... Fiz as obrigações diárias até a uma da tarde. Com gente medicando essa falta que insistia em abrir feridas, e pasmem-se senhores, com gente insistindo em abrí-las. Não renasci à uma, Mãe. Acho que dessa vez você deve ter ficado mais horas em trabalho de parto. Creio eu, aliás, que não fez isso sozinha, dessa vez. Que o dia foi se arrastando e a falta foi avançando... Mas foram te ajudando. Nos ajudando...

Aos pouquinhos, fui ficando capaz de perceber o quanto me faziam rir o tempo todo. E que esforços de horas antes com as minhas feridas, a longo prazo, serviram. Fui capaz de perceber que a falta ia crescendo... Mas também se transformando. Se transformando em cada sorriso que me davam e que me arrancavam. Cada abraço. Cada presente. Cada parabéns.

E no final do dia. Ah. No final do dia que pareceu mais demorar dois... Eu tava com esse sorrisinho que é uma delícia poder dar, pra cada um. Pra mim... Renasci agora, Mãe. Não sei a que horas, porém. Nem mesmo se de fato teve A hora, ou uma mistura de minutos incontínuos... E decisivos. E já dei meu primeiro passo aprendendo que essa falta que se faz doer e se transforma, na verdade, serve só para nos relembrar , assim como você faz com o seu "uma hora da tarde" sentada na minha cama, todos os anos, que oportunidade a gente é que faz no caminho que escolheu, e não elas que pulam para o caminho que renunciamos como achamos mais fácil pensar de vez em qdo. E que qto a essas pessoas que faltam... E faltam... E faltam... Estando do seu lado. Estando a km de distânica... Estão ali presentes. Nessa falta que dói e a gente sente.

Dentro.

Sempre.

Acordei hoje de manhã sem voz...

E com esse sorrisinho triplicado.

À sua parte nessa história, o meu muito obrigada.