segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

2011

Se alguém me contasse, no começo desse ano, que eu trancaria a USP e não voltaria pra São Paulo, que passaria o natal e o reveillon na Argentina, que engordaria cinco quilos, que compraria um cachorro, que enjoaria de comida japonesa, que descobriria um desamor e um amor de mesma intensidade... Eu iria dizer 'cala a boooca!'

Alguém tem alguma dúvida de que eu não vá especular nada do ano que vem?
Que venha.
E nunca percam a fé num ano ímpar.

:D

Boas festas desde já que eu não volto pra cá tão cedo.
I guess.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vivendo e aprendendo

Eu me considero uma pessoa muito de boa. Eu não grito (falar alto não conta), não me irrito com facilidade, tento não atrapalhar ninguém e você sempre vai me ver rindo da sua piada, mesmo que eu não ache engraçado. Falo obrigada, por favor e dá licença e não fico reclamando das minha cólicas se você não é meu ginecologista. Sou super bem humorada de manhã e vou ser bem compreensiva se você for um garçom e acidentalmente bater a bandeja na minha cabeça, o que acontece com certa frequência comigo, só Deus sabe por que. Sou boazinha no trânsito e deixo você passar assim que liga a seta. Repito sem problemas quantas vezes forem necessárias até que você entenda. E você nunca vai perceber quando eu quero te esganar, quando eu quiser. Veja bem, isso não se chama falsidade, se chama política de contenção de gastos emocionais para uma sobrevivência pacífica na sociedade. Enfim, eu sou mesmo de boa. Mas se tem uma coisa que me tira do sério, ou melhor duas, são incompetência e burocracia.

E hoje conseguiram juntar as duas na livraria. Fui toda feliz passar o meu livrinho, uma caixinha de presente e um mero envelope no caixa. A moça chegou toda sorridente e pediu para que eu lhe entregasse as coisas que ela ia gerar a notinha e eu pegava no pacote. Ok, tudo certo, tudo feliz, é Natal e lá lá lá.

No pacote, fui pegar tudo e o cara me barrou dizendo que num tinha notinha nenhuma do envelope. Do meu envelope de R$0,10. Conferi. Num tinha. Como que alguém que vai especificamente pegar as suas coisas, colocá-las todas juntas na sua mãozinha até chegar num computador, ali do lado, e gerar uma nota, não passa todas elas?

Tudo bem. Tudo bem, mocinha sorridente. Eu te perdoo, é final de ano. Eu pago, oras. Ah, não... mas pagar ali eu num posso. Olha só que inteligente, eu tenho que voltar pra fila digna de fila de Natal para passar R$0,10.

E eu quase fui. Afinal, é mesmo Natal né, alegria, alegria... Até me lembrar de que além do cartão de crédito eu num tinha nada, nem uma moedica de nada. Voltei ao pacote, puta. Fui bem da grossa e mal educada. E se eu encontrasse a mocinha sorridente pelo caminho, ia mandar ela me comprar cem envelopes que por culpa dela eu num tinha nenhum e enfiar.. bom, deixa pra lá.

Puxei a sacola da mão do cara que num tinha nada a ver com o assunto e tentava me arrumar uma solução, esbarrei em meio mundo de propósito e reclamei até sair da loja, bem alto, também de propósito. Nessas horas as pessoas devem ter olhado e pensado: "nossa, que menina mal amada (pra num dizer pior). Essa daí deve ser daquelas que reclamam de tudo, vivem de cara feia e maltratam todos os atendentes do shopping".

Foi aí que eu decidi nunca mais julgar ninguém que se encontre num ataque de fúria, na minha vida. Vai que meu BOM DIA feliz às 6h da manhã lhe seja pior que ter de entrar numa fila de meio km para pagar R$0,10, que você não tem, por culpa de uma atendente avoada?

Viu, gaúcho da cantina da faculdade? Nunca mais eu te olho daquele jeito.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cabulando civil

Eu deveria estar estudando agora, mas não sei que tipo de nivelamento de prioridades eu tenho a ponto de achar que escrever aqui é imensamente mais importante que ter de estudar para não repetir uma matéria no semestre que vem. Talvez seja o tipo certo. Talvez seja simplesmente um tipo. Ou o tipo. O tipo que rege todas as coisas da minha vida na mesma bagunça.

Confesso que tenho invejinha das pessoas de vidas sem bagunça. Sem a menor nuvem de confusão. Eu não moro com o amor da minha vida e um cachorro, trabalhando no emprego mais legal do mundo - pra mim - e ainda tendo tempo para fazer coisas como assitir àquele filme cult à tarde ou fazer aquela viagem de final de semana, antecipando a magistral de final de ano. Mas tem gente que sim!

Concordo muito com o que diz o personagem de Jack Nicholson em Melhor é Impossível (por mais que eu odeie as traduções infiéis que fazem a nomes de filme, odeio mais ainda ter de lê-los na língua original. Por favor, né. É só pra gente perder tempo jogando no google pra ver do que se trata enquanto você soa sofisticado?) quando ele retruca a declaração da personagem de Helen Hunt quanto a todos estarem tendo de lutar com algo difícil na vida, uma coisa assim. Ele diz que não, que não era nada assim, que tinha gente é muito bem e que sempre tinha estado a despeito da desgraça alheia.

Não que minha vida seja ruim, longe disso. Ela só é, como eu disse, bem bagunçadinha. Minhas prioridades se confundem, bem como as decisões que adveem delas e, quando eu vejo, já nem sei dizer em que pé de vida estou ou se dá pra ir àquela sessãozinha das 4 com alguém ou não.

Talvez eu simplesmente não saiba viver como essas outras pessoas, já que não tenho nada, a não ser das minhas falíveis decisões, a reclamar, e poderia muito bem viver. Talvez eu seja daquelas que, sem explicação nenhuma, um dia deixam a casa perfeita, o marido, os filhos e o emprego perfeito, para morrer num motel com o amante 20 anos mais velho, assassinados pelo ex. Ou talvez eu só esteja ainda em um processo de amadurecimento para, quando chegar nisso, se o chegar, assim não o seja, Deus que me livre! Ou talvez...

Eu como talvezes no café-da-manhã. E escrever é sempre mais importante. Como minha vida não seria (será) essa bagunça?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Verdade

Eu não canso de me arrepender. Não canso de fazer perguntas sem respostas, de me questionar por que fui fazer isso ao invés daquilo, por que não disse exatamente tal coisa ou por que eu não posso simplesmente voltar uns meses de vida e não esfaquear oportunidades que hoje eu lamento, irresistivelmente, ter esfaqueado até a morte. Não canso de exaltar um passado que não tem a menor possibilidade de voltar, de me condenar por um erro irreversível. Aliás, eu até hoje não tenho bem certeza se existe algum que se reverte mesmo... Não canso de trair a mim mesma, fazendo, sentindo, falando e até comendo exatamente o que eu me prometi nunca mais, nunca mais, voce tá me ouvindo?
E eu não vou me cansar nunca. Se engana você se acha que pode continuar assim que um dia vai se cansar, mais do que todas as outras vezes em que disse que estava exausto, que não aguentava mais, que aquela era a última vez.

Se lamentar não cansa, meu amigo. Vicia.
Você, assim como eu, só vai parar o dia em que perceber que supervalorizamos demais nossas escolhas pessoais. E isso pode demorar muito, muito mesmo, se contarmos com a nossa deseperada necessidade em pertencer, em nos sentirmos com alguma significância nesse mundo. Ainda mais quando não temos ninguém para dizer que pelo menos na vida dessa pessoa significamos.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Personageando-me

Em todo o meu tempo de leitora busquei me encontrar em alguma das personagens que li. Mais do que numa simples - ou até mesmo complexa - semelhança ou num gosto incomum em comum, eu busquei achar algo que me explicasse de um jeito que nem mesmo eu sabia me explicar, de um jeito espelho que me tomasse de um assombro inteiramente particular. Procurei... Especialmente nas personagens masculinas porque, a despeito de conseguir fazer mil coisas ao mesmo tempo e de prestar atenção e opinar em mil conversas paralelas, sempre me achei um pouco homem num corpo de mulher. Minhas reclamações, o jeito de lidar - lê-se fugir - dos sentimentos e relacionamentos, minhas indiferenças e desatenções, meu desligamento, absolutamente tudo que eu sempre ouvi minhas meninas falarem e concordarem, em cumplicidade, a respeito dos homens era o que eu pensava/sentia/fazia, desde sempre. Isso, além do futebol e da cerveja, confesso, fizeram com que me procurasse, sinceramente, nos homens que li e reli sem limites, durante a vida. Mas foi numa mulher, e quando menos esperei ou procurei, quando já me pensava única no mundo - olha que disparate! - que fui me encontrar, certeira. E não foi diferente do que eu pensava, não. Me tomei de um assombro espetacular, me entendi como nunca e como nunca me senti mulher.

Amaranta Buendía é uma personagem de Gabriel Garcia Márquez, em Cem Anos de Solidão. E ele conseguiu explicar e entender nela o que eu passaria anos sem entender e explicar em mim.
(ou que eu passaria anos fingindo que não entendia?)

"Amaranta, pelo contrário, cuja dureza de coração a espantava, cuja concentrada amargura a amargava, foi revelado no último exame como a mulher mais terna que jamais pudesse haver existido e compreendeu com uma penosa clarividência que as injustas torturas a que submetera Pietro Crespi não eram ditadas por uma vontade de vingança, como todo mundo pensava, nem o lento martírio com que frustrara a vida do Coronel Gerineldo Márquez tinha sido determinado pelo fel ruim da sua amargura, como todo mundo pensava, mas sim que ambas as ações tinham sido uma luta de morte entre um amor sem medidas e uma covardia invencível, e triunfara finalmente o medo irracional que Amaranta sempre tivera do seu próprio e atormentado coração."