domingo, 2 de maio de 2010

Marinheiro

aA
Cheguei por muito tempo caminhando em passos falsos. E isso acabou por fazer de todas as minhas chegadas, partidas.
Se eu disser que não percebia isso acontecendo é mentira minha.
Partir sempre dói.
Claro que eu percebia.
Acontece que o que podia fazer eu a não ser partir de novo?
Prático, Partia.
E assim fui a todos os lugares que julgava possíveis.
Mas isso nunca me desfez a necessidade de chegar.
Foram todos os portos... Portas.
E nada.

Até ela.

dA
Do instante em que ela apareceu ao instante em que desapareceu pra não mais voltar, eu soube que era nela que eu queria chegar, esse tempo todo.
Foi tudo tão claro!
Sei que ela ficou tempo insignificante perto de toda a minha vida.
E que nem ficou por toda ela, como deveria ser.
Mas, sei lá.
Também sei que - e quem - era ela.
Que gravou em mim um estrago, uma coisa assim, que justificaria tudo, daria sentido ao mundo, por menos tempo que ficasse.
Veio-me como um raio em dia de sol. Inesperada e de uma intensidade assustadora, anunciando um derramar de águas sem fim, depois de sua partida.
E partiu.
Talvez eu não tivesse satisfeito a sua necessidade em chegar.
Ou não estivesse acostumado com mulheres como eu, que nunca param em nenhum lugar.
Sei que não guardo uma recordação boa dela, não. Nenhuma sequer.
Ela não me permitiu, não se permitindo se entregar.
Mas isso não me impede de amá-la, brutalmente.
E eu nunca vou deixar de amar.
O rosto distorcido na memória, a cada dia que passa. As mãos que perderam as dimensões de um corpo que percorri tão bem.
Tudo isso e nada, impressionante e incomodamente, deixam-na sempre mais nítida e mais bonita em mim.
Porque é.
Minha chegada. Minha última parada.

E meu fim.




2 comentários:

LAÍS disse...

Parabens , vc escreve muito bem !
Lindo blog :)

Camila disse...

ai paulinha! que suspiro..

e como é que vc tá?